27.5.08

 

No Labirinto das Línguas



García Márquez não usa em hipótese alguma advérbios de modo em -mente, sempre substituidos por locuções adverbais; e se zanga quando a tradução não o segue nessa indiossincrasia.
Moacir Werneck de Castro

Pelos relatos da família, meu pai sempre foi amante das letras. Precoce, na idade de cinco anos, se prostrava de bruços no chão da sala, lendo em voz alta o saldo de jornal de meu avô. Aos doze anos foi estudar na cidade vizinha, e para tanto tomava sozinho o trem bem cedo. Dedicado, seguiu carreira das Armas. Com a língua inglêsa, nela se esmerou com repetidas assinaturas anuais da revista Time.

Me lembro que a cada quinze dias ganhava uns trocados por limpar sua mini biblioteca, que repousava sobre as estantes de madeira. Eram coleções de livros de guerra, uma infinidade de pocket books, dicionários os mais variados, diferentes tipos de Bíblias e as pilhas e mais pilhas de revistas.

Neste fim de semana, ao buscar meu pai para um almoço especial na 1ª Igreja, me deparei com O General em seu Labirinto, de Gabriel García Márquez. Mergulhei em sua leitura de pronto, sem antes guardar sob a quarta capa um recorte de jornal de 12 de outubro de 1989 que encontrara nos meios das páginas já transferindo seu amarelado para as páginas onde repousava. Era a explicação do tradutor, com um pequeno trecho que reproduzi acima. O título: Traduzindo García Márquez, chamou meu pai em suas leituras diárias de jornais. Não sei o que veio antes, o recorte ou o livro.
Foi com determinação e muito estudo que seu Inglês foi aprimorando, até ganhar por méritos uma função especial que nos levou aos Estados Unidos. A família e mais uma prima como agregado. Como estava no início de minha aborrescência - pude desfrutar do aprendizado da língua e de outras absorções culturais. Incluiria nessa categoria os esportes também - até porque o Baseball é algo muito americano, apesar do Japão, Venezuela e Cuba serem igualmente fãs da peleja do taco e da bola de madeira revestida de couro branco. Aprendi esse esporte, após comprar luva (para a mão esquerda, pois a direita deve ficar livre para se lançar a bola).
Mas o que sempre me fascinou - até os dias presentes, apesar do entusiasmo não ser o mesmo, foi o Basquete. Acompanhava dominicalmente pela televisão, os embates entre Bill Russell e Wilt Chamberlain. O primeiro era o grande expoente do Boston Celtics. O segundo, o maior reboteiro e pontuador da NBA em seus primórdios - defendia as cores do Philadelphia 76'ers.
Hoje me encontro mais introspectivo e amante das leituras. Um misto dos anos indo, das responsabilidades e desafios profissionais, e a percepção clara que a tal da revolução virá pelo poder da palavra e da Palavra (ou vice versa, se preferir).

Digo a você, que nas primeiras páginas, esse talentoso colombiano já me conquistou.

25.5.08

 

Um legado


Conheci Francis Schaeffer mais de perto enquanto descíamos pelas calçadas e caminhos de Huémoz, uma estação de esqui encrustada nos Alpes Suiços. Já era noite, e logo teriamos o encontro no salão de reuniões denominado Farel House. Estávamos em L'Abri, um sonho acalentado de vários meses que se tornava real naquele início de janeiro.


Duas coisas ficaram vívidas na minha memória ao longo desses anos todos. A primeira foi uma situação de perigo. Era inverno forte, bastante frio. Descíamos pois estavamos mais para a parte alta da Vila, e apesar de todo o cuidado ao andar, Schaeffer escorrega sobre a calçada revestida de gêlo. Eu e meus companheiros, o Neto e mais alguns americanos, nos pusemos a socorre-lo, aprensivos. "Isso acontece - graças a Deus estou bem." Ele se pôs de pé e continuamos a caminhada. Não sem antes dirigir-se a mim, preocupado com a situação política no Brasil.


Vivíamos num estado de exceção. O AI-5 já tinha mais de quatro anos, porém seriam necessários mais alguns anos até a abertura definitiva. Ele estava apreensivo, com o estado de direito, com a liberdade, com a democracia como caminho para soluções políticas.


Schaeffer entendia que a democracia era um preceito dado por Deus - em todos os aspectos resgata dignidade e valor à sociedade e ao indivíduo. Eu pessoalmente - ainda muito jovem, não sabia como elaborar uma resposta - fiquei a ouvi-lo. Esses dois contrastes me ajudaram em muito. Primeiro que o meu 'ídolo' da juventude era carne e osso. Acho que isso eu levo comigo de maneira muito forte. Sempre tive com os poderosos e personagens de destaque - daqui e d'além mares, esse misto de desrespeito honorável e desconstrução protocolar.


Em segundo lugar que o bom cristão é crítico e engajado. A maneira como o diálogo se sucedeu eu perdi na memória, mas o impacto de sua preocupação mudou meu jeito de ver o mundo. Sua pergunta não havia sido: como vai a igreja, como está o mercado editorial, como estão os seminários ... lá no Brasil? Sua preocupação denotava profundidade e esclarecimento. Sua visão macro atacava as causas, não os efeitos. Ele queria saber do bem estar do povo, da estrutura social e da justiça no nível da sociedade como um todo e do indivíduo como cidadão.


Esse primeiro episódio é mais do que simbólico, por ser revelador em extremo. Hoje olho para a década de 80 e compreendo suas motivações nos títulos que desafiavam o cristão para uma maior assertividade na sociedade e na cultura. É claro que o aborto ganhou destaque para a época - era o clímax da hipocrisia na sociedade americana. Mas ele não era um cara de causa única. Com relação à guerra do Vietnã, ele era um opositor a Nixon e às suas políticas - por isso, não creio que ele hoje seria pró Republicano Neo Conservador. Mas isso é especulação.


A grande injustiça com Schaeffer é a de presumir que suas motivações permaneceriam estáticas diante das novas e mais complexas situações em que vivemos hoje. Schaeffer se distanciou cada vez mais do pensamento 'main stream' americano. Impossível entende-lo sem que se conheça Hans Rookmaaker mais a fundo - seu mentor no mundo das artes. Schaeffer ousou ao questionar os 6 dias literais de Gênesis. Ele sempre recebia paulada dos dois lados do espectro teológico - e dizia com certa ironia, de que isso lhe fazia bem pois era indicador de que estava no caminho certo. Os calvinistas extremos criticavam sua paciência em responder e explicar os caminhos da fé - sendo ele mesmo um calvinista. Queriam que ele utilizasse os termos teológicos e abordagens puristas (preciosamente perfeitas) - o que ele dava poucos ouvidos e sim, abraçava um pragmatismo amoroso e cheio de compaixão.


O outro episódio que me marcou muito foi um telefonema que ele recebeu no meio da tarde. Estávamos eu e mais uns dois colegas, desempacotando as caixas da mudança do casal, para seu novo chalé. Foi nesse ano que eles fizeram uma mudança mais radical, deixando Chalet Les Meleses, onde tudo nasceu - e onde por quase vinte anos foi palco da hospitalidade e do coração do projeto L'Abri. Ao atender, praticamente todos que estavam na casa puderam acompanhar a sua fala com essa moça cristã. Me parecia da África do Sul - não sei por certo. Schaeffer repetia sem parar enquanto sua interlocutora relatava as notícias: "Oh I am sorry." Percebíamos pelo tom de sua voz, que ficava mais aguda e comovida, que realmente não eram boas notícias. E em seguida, ele fala alguma coisa a mais de conselho e conforto, e põe-se a orar. A gente por perto, emudecido e arrepiado. "Senhor Deus, separados por milhares de milhas, vimos juntos à Tua presença para humildemente Te pedir ..."


Schaeffer era isso - carne e osso, e muito coração. Schaeffer era isso, tomado pelo Espirito e muita oração. O cara era um gigante da fé.


Num aspecto mais abrangente, L'Abri me fez muito bem. Transformou meu modo de ver o mundo, me libertou de muito lixo e porcaria que carregava, me deu segurança na forma radical em que estava recém vocacionado, permitindo que ocupasse função de relevância no meio profissional com muita ousadia. L'Abri foi um tempo de descoberta e libertação para mim.


Percebi que a fé não tem horizontes demarcatórios, que a vida cristã tem que ser assumida de maneira individual e não pelo que os outros acham. Que teria que continuamente depender do Pai e sempre me acertar com Ele - os ponteiros do ritmo e os ângulos dos caminhos trilhados. Compreendi melhor o mundo com seus movimentos sociais, políticos e intelectuais - me fez enxergar e discernir o significado de ser cristão no nivel individual e comunitário. E consolidou a minha fé e o meu chamado para que até hoje eu continue lutando por transformações.


Eu fui um leitor ávido do homem. Em algumas ocasiões compartilhei com irmãos - quer em palestras e aulas, o que aprendi com os seus escritos e os derivados. É fato que sua trilogia era um 'must read' para quem fosse trabalhar com jovens e universitários. Era parte do currículo da ABU. A complementar suas leituras estavam John Stott, Os Guiness e os teólogos latino-americanos evangélicos. Em 74, no Congresso de Lausanne, o único americano a não destoar das ênfases trazidas pelo terceiro mundo foi Schaeffer - pois ele mesmo entendia o significado da missão integral e mais - a praticava no seu dia a dia.


Hoje enquanto, só nos Estados Unidos cerca de 90 bilhões de dolares são arrecadados anualmente para Missões e Organizações Humanitárias, percebemos o quanto Schaeffer e L'Abri não eram dirigidos pelo mercado. Muitos dos seus colaboradores íntimos atestam esse desprendimento e manutenção de princípio. Até sua morte, a vendagem de seus livros suplantaram milhões de unidades. E todos os direitos eram revertidos para L'Abri.

Seu estilo de vida simples - bem aculturado para um residente na Suiça; sua dedicação incansável aos temas que tocavam sua época: a arte, a cultura, o entendimento e assertividade da fé; e seu exemplo como figura cristã e humana são legados que farão que Francis Schaeffer permaneça em destaque no rol dos gigantes da fé. Sempre que havia um confronto com o pensamento do homem moderno - contestador e questionador, estava ali em Schaeffer alguém que podia aplicar I Pedro 3:15 com extrema propriedade.


Era vida e compaixão juntas. Seu impacto positivo perdura até os dias de hoje.

24.5.08

 

Fim de feriadão

O que me ocupa o pensamento incessantemente é a questão: o que é Cristianismo de fato, ou na verdade: quem é Cristo de fato para nós hoje. O tempo em que se dizia tudo às pessoas por meio de palavras, seja pela teologia ou devoção, já se acabou, e assim também o tempo para reflexão e consciência - e isso significa para a religião em geral. Estamos indo para um tempo de total ausência de religião; do jeito que as pessoas estão hoje simplesmente não podem ser mais religiosas.

Até mesmo aqueles que honestamente se descrevem como 'religiosos', não fazem o mínimo para tal, e assumem que o significado de religioso é bem diferente ... Como esse Cristianismo sem religião aparenta, que forma ele toma, é algo em que me dedico a pensar ...

Bonhoeffer - Cartas da Prisão (1945).

Fonte Bonhoefferblog do Bryan

23.5.08

 

Manifesto Evangélico

Evangelicals have no supreme leader or official spokesperson, so no one speaks for all Evangelicals, least of all those who claim to.

Evangélicos não tem um líder supremo ou um porta-voz oficial, então ninguém fala pelos evangélicos, muito menos aqueles que se apropriam desse papel.

As followers of “the narrow way,” our concern is not for approval and popular esteem.

Como seguidores do 'caminho estreito', nossa preocupação não reside em aprovação ou consideração popular.

Reformers, we ourselves need to be reformed. Protestants, we are the ones against whom protest must be made.

Reformados, nós mesmos precisamos de reforma. Protestantes, nós somos a quem os protestos devem ser feitos.

We confess that we Evangelicals have betrayed our beliefs by our behavior.

Confessamos que nós Evangélicos traímos nossas crenças por nosso comportamento.

All too often we have failed to demonstrate the unity and harmony of the body of Christ, and fallen into factions defined by the accidents of history and sharpened by truth without love, rather than express the truth and grace of the Gospel.

Continuamente temos falhado em demonstrar a unidade e a harmonia do corpo de Cristo, e temos caído em facções, definidas pelos acidentes da história e afiadas pela verdade sem amor, ao invés de expressar a verdade e graça do Evangelho.

Above all, we remind ourselves that if we would recommend the Good News of Jesus to others, we must first be shaped by that Good News ourselves, and thus ourselves be Evangelicals and Evangelical.

Acima de tudo, resgatamos que se quisermos recomendar as Boas Novas de Jesus para outros, precisamos antes sermos moldados pelas Boas Novas, nós mesmos, e assim sermos Evangélicos e Evangelicais.

Evangelicals have trumped the causes against abortion and liberal theology while refusing to acknowledge their own vices such as consumerism and materialism.

Evangélicos tem esbravejado suas causas contra o aborto e a teologia liberal, porém recusando a reconhecer seus próprios vícios como o consumerismo e o materialismo.

Evangelicals forgot about the parts of the Bible that talk about Creation.

Evangélicos esqueceram-se das partes da Bíblia que falam acerca da Criação.

Evangelicals have fed anti-intellectualism in churches and have separated science from faith.

Evangélicos tem alimentado um anti-intelectualismo nas igrejas e tem separado a ciência da fé.

- - - -

Essas são algumas das afirmações encontradas no Manifesto Evangélico que foi recém divulgado nos USA, tendo à sua frente gente do naipe de Os Guiness, Dallas Willard, David Neff, Rich Mouw ... (biografias aqui).

Apesar da forte resistência da ala conservadora (coincide em ser de direita), o Manifesto ganha adesões. Seu conteúdo está sendo discutido além da forma. Há é claro aquelas reações de sempre (e óbvia, pela direita - huuummm, conservadores) do tipo: "se Jim Wallis assinou eu já sei o que se pretende ... " - para nós brasucas entendermos, o Jim Wallis é considerado muito avançadinho (e de esquerda), daí esse tipo de comentário.

Basta assistirmos um pouquinho do que acontece por lá, para entendermos o por que das coisas que acontecem por aqui. O mimetismo é forte.

BTW - se voce pode ajudar na tradução completa das 20 páginas do Manifesto, dê um toque no comentário, pois vou precisar de muita ajuda nessa empreitada!

22.5.08

 

Tempos (pós) Modernos

Marconi, Spencer, e Volney
Tempos incríveis não?



E só posso afirmar isso, pois fui lentamente me adaptando ao mundo real e verdadeiro que me cerca. E - sem sombra de dúvida - nutrido em minha fé, e pela graça, mantendo-me ligadão nEle!


Sem isso, é muito dificil para os da minha geração se contextualizarem no tempo presente. E olha que não estou aí pra dar aulas desse tema - sou um mero aprendiz e sento-me lá no fundão.



Almoçando com o herege



De um lado estive nesse fim de semana sentado ao lado de um grande virador de mesa de nossos mundos evangelicais. O Spencer Burke foi retratado pelo Luís aqui. Ele proporcionou uma agradável conversa com café no sábado, junto com o próprio Luís e o Marconi. E depois nosso grupo almoçou no domingo, tendo à sua frente o Ed René como questionador. Uáu! Pena que não gravamos. Entre saladas e cocas zero (só eu que estava de chopps) os pratos principais eram os teólogos latino americanos, a pós-igreja-emergente (!!), eclesiologia pela eclesiologia, os dilemas das denominações tradicionais, editoras tímidas e medrosas, rompimento com o status-quo.



Spencer é um cara amoroso e revela o cristão com alma de artista (ou vice versa). Foi fotógrafo contratado da Kodak, deu aula em universidade, e era um pastor enquadrado no molde batista tradicional. Hoje dirige o Soularize - que é uma comunidade de ensino e colaboração, tem também o The Ooze. Viaja muito dando palestras e organizando encontros em lugares diferentes. Está sempre conhecendo gente nova. É escritor. Não tem nada a ver com um revolucionário a la Che, mas como figura polêmica ele consegue não perder a 'candura'.



Ao responder a primeira pergunta: "De onde vem seu sustento?" Ele fez um rápido retrospecto de sua vida nos últimos dez anos. Ele simplesmente pediu demissão como pastor de ensino de uma mega-igreja da Califórnia. Imaginem o melhor de vários mundos num só cargo: bom salário, excelente estrutura, visibilidade, reconhecimento ... mas ele não queria mais se preocupar (entre outras coisas) com o casal de Cherokee precisando achar lugar no estacionamento para confortavelmente assistir o culto sem que isso fizesse diferença no resto da semana. Ao longo dos anos seguintes ajudou numa das igrejas filhas - mas sem ser assalariado. E hoje ele tem alguns ganhos esporádicos, mas consegue se sobreviver graças ao estilo ultra-simples de vida em família. A esposa trabalha de casa, três dias na semana. A casa que eles tem é simples e pequena e está quase totalmente paga.



Sobre o livro - ainda sem tradução mas cujo título deve ser "O Guia do Herege para a Eternidade, ele compartilhou que ele e mais o outro autor resolveram colocar a pecha de herege por conta própria antes que outros o fizessem. Foi um tempo instigante e agradável. Esse livro especificamente foi bem discutido aqui ( texto e os comentários - em Inglês).



O cara em si, e os temas abordados dão um bom pano pra manga.



Discordando com o fraterno



De outro lado, sou pego tentando explicar para o Roger, quem foi Francis Schaeffer - um dos gigantes da fé do século passado, a quem merece um post mais que exclusivo. E se possível fazendo de maneira fraterna (como aliás deve ser).



Schaeffer me influenciou muito ao longo de minha juventude. Reconheço como os alicerces de minha fé foram fortalecidos pela minha experiência em L'Abri. Conheci gente boa por lá. Sei também que as bases para abraçar de vez o Evangelho Integral (ou Missão Integral) vem desse tempo que estive por lá. Seus textos são referência para se entender o mundo e nossa cultura. Aqui em português.



Hoje, enquanto vemos os Estados Unidos passando por uma certa catarse ao expulsar os demônios que fizeram o país entrar numa guerra imbecil, discute-se a influência de Schaeffer para a formação da direita religiosa (que por sinal sustentou e garantiu Bush nas duas eleições para presidente). O livro "Crazy for God" de Frank Schaeffer (o filho) é um bom combustível na polêmica.



Se somarmos os pitacos em terra brasilis, tanto pelo Gondim como por Caio, e mais a matéria da Cristianismo Hoje sobre L'Abri, podemos dizer que tem mais pano pra manga.



Escrevendo com o coração



Na margem postando por aqui, compartilho uma noção duo-milenar (se não eterna) e que ganha forma e analogia com nosso mundo digital: o Cristianismo Código Aberto. Aqui tem as postagens 1, 2 e 3. Tem mais no forno. Aguarde.



Para ilustrar mais a miúde, como funciona na prática o código aberto e livre, nesta segunda estivemos juntos, Pava, Ricardo Diversitá e o Thiago. A comunidade e a fraternidade fazendo parte do dia a dia. Era uma loucura fazer um pit stop em semana curta e agitada. Rolando na conversa os desafios da blogosfera e o valor que damos para essa grande confraria de irmãos e irmãs. O Ricardo tinha chegado na segunda, direto de João Pessoa. Ele e o Tiago têm a idade de meu filho caçula. Devido à minha forte capacidade de transmutação (he, he) trato os dois como preciosos irmãos.



Quando chego à noitona em casa, eis que vou ver como ficou o programa 4 do Zona da Reforma - estamos a falar sobre a Playboy e nossas irmãzinhas (de hoje -aparentemente não de ontem ...). Ainda tá mais pra zona do que pra reforma ... mas é o efeito (e não o defeito) que atrapalha um pouco.



E pra terminar minha argumentação - estou super animado com o Manifesto Evangélico acontecendo nos USA. Foi lançado no dia 7 e acredito que vai dar um bom pano pra manga.



Tempos incríveis esses!

20.5.08

 

Cristianismo Código Aberto (2)


O primeiro grande evento, sem a participação direta de Jesus, na história do Cristianismo - e como veremos a seguir, a fortalecer a tese do Código Aberto, aconteceu imediatamente após a sua ascensão. Quando veio Pentecostes - 50 dias após a Páscoa e detalhadamente relatado em Atos 2, avança-se em sua cristalização.


Todos ficaram cheios do Espirito Santo e começaram a falar noutras línguas conforme o Espírito os capacitava.

Jerusalém, por ocasião das festividades se tornava um espécie de ONU, vindo gente de todas as partes do mundo.


Partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, do Ponto e da província da Ásia, Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próxima a Cirene, e visitantes vindo de Roma tanto judeus como convertidos ao judaismo, cretenses e árabes.

Eis a ocasião mais que oportuna para inverter o efeito Babel, com a descida do Espirito Santo. A única 'religião' - a verdadeira e exclusiva emancipadora da Graça, anula o símbolo da busca aos Céus em torres construídas por homens, escadas que intentam alcançar Deus - no meio de uma confusão de línguas, comunicação e atitudes. Eis que agora o processo real e do Deus manifesto é Babel ao contrário: Deus descendo, dando línguas para entendimento e constituíndo naquele início da era do Espírito Santo, um efeito viral. Um contágio que deixava perplexos e maravilhados seus ouvintes. O impacto era fulminante em cada um daqueles a quem a Mensagem era apresentada. O Código Aberto ganhava força e determinação.

Nós os ouvimos declarar as maravilhas de Deus em nossa própria língua.

Babel fôra divergente. Pentecostes é convergente.

Mesmo quando se chega ao final deste capítulo 2 de Atos, a narrativa é uma prova cabal do poder transformador do verdadeiro e genuíno Cristianismo: aberto, livre, acessível, convidativo, includente, gratuito, alegre, simpático, festivo, e (por último e não menos importante) amoroso. Homens e mulheres adentravam na era da graça e do amor. A comunidade e os 'Códigos Abertos' eram assim descritos:
. Tinham coisas em comum
. Distribuiam valores de acordo com a necessidade
. Todos os dias se reuniam
. O pão era partido nas casas
. Havia participação de refeições com alegria
. Louvavam a Deus
. Conquistavam a simpatia do povo

Esta é a seqüência da série CCA, onde depois do (1) e do (3), o (2) acima fica agora (sem fechar), com o código ainda mais aberto e clarificado. A continuar ...

* Pentecost - canvas by Alexander Sadoyan

18.5.08

 

Cristianismo Código Aberto (3)


Tudo começou em Jesus. João, Pedro e Paulo e mais uns poucos - entre discípulos e new comers deram continuidade ao grande projeto concebido por Deus. A salvação do mundo, o cumprimento da grande comissão, a evangelização até os confins da terra, o indo ...

O cristianismo - que só mais tarde ganhou esse brand, com direito a peixinho e cruz em sua logotipia, deveria carregar em seu bojo a característica sempre revolucionária do código aberto.

O mistério (segrêdo) que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia se manifestou aos seus santos; (parentesis nosso) Colossenses 1:26

Era algo que parecia estar fadado ao exclusivismo judaico. No entanto arrebentava os muros de separação e do preconceito, para alcançar toda e qualquer criatura. Judeu e gentio!

aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória; Colossenses 1:27
A segunda Diáspora
Os acontecimentos do primeiro século da era Cristã se desencadearam num consequente efeito global para o Evangelho. Não somente as viagens missionárias de Paulo levaram a mensagem de salvação aos diferentes rincões da civilização, como convertidos judeus eram as sementes da multiplicação do Evangelho.

Na África Oriental, vemos a atuação do eunuco etíope - um convertido sem nome que após ter sido batizado retorna ao seu país cheio de júbilo. É possível (e aqui estou especulando) que seu nome tenha sido preservado para permitir que os esforços evangelísticos no palácio da Rainha e depois na Etiópia em geral, não fossem frustrados. Era a insubordinação em curso, 'pervertendo' a ordem reinante.

O Cristianismo Código Aberto ganha em seus recém convertidos, imediatamente fortalecidos pelo Espírito Santo, um impulso avassalador de adesões e entusiasmo - provavelmente nunca antes percebido em qualquer outro movimento social, e com uma relevância a toda a prova: a forma organizada de se apoiar e sustentar os mais pobres e menos favorecidos. Ou seja, apesar de subvertidos, dão a volta por cima e fazem o que nem Estado, Governo ou Imperador conseguem realizar.

Mesmo na controvérsia judaizante acerca dos convertidos gentios, há uma liberação de autonomia visando preservar-lhes o que na essência eram por não serem iguais (não-judeus). Ao enfatizar o que deviam abandonar como procedimento - os quatro rituais pagãos - ligados à uma religião código fechado (que acabavam de abandonar), lhes era franqueada liberdade. Aos irmãos mais velhos, a ordem era para que parassem de pertubar e transtornar a alma desses irmãozinhos (Atos 15:24). Em Paulo e Barnabé a mensagem do Código Aberto é selada e enviada a Antioquia, Síria e Cílicia.

Babel Teológica
Já nos primeiros séculos, a falta de alinhamento em questões doutrinárias acabam trazendo divisões e cisões entre os irmãos. Mas há nesse retrocesso, um outro lado da moeda que é a própria multiplicação de convertidos e o crescimento da cristandade. Mesmo quando se olha com cuidado as diferentes ordens religiosas - promulgadas desde o início dos relatos históricos da igreja, vemos dezenas de iniciativas. Homens e mulheres se esforçando em suas vocações de maneira autônoma e independente.

Se - conforme o relato em Gênesis, na Babel das diferentes línguas, o povo se dispersa e abandona a construção da torre, aqui na seqüência de Atos 28, a confusão causada pelas diferentes formas de se abraçar a fé, espalha os cristãos e faz o Evangelho crescer.

O bom é inimigo do ótimo

Há no entanto um grande revez em Constantino para o Cristianismo. O que parecia uma excelente iniciativa (um golpe de gênio): institucionalizar a fé - é na verdade uma grande subversão. O código tem que ser livre e permanecer solto. A inconsistência de tal medida servirá como breque ao crescimento genuíno do Evangelho e será um duro golpe à sua vitalidade. Cessa o vigor do código aberto.
Aguarde Cristianismo Código Aberto (2) - sobre Pentecostes

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